Carine Ferreira |
Para atender à crescente demanda interna, as importações dos chamados fertilizantes intermediários tiveram grande expansão nos últimos anos |
Para atender à crescente demanda interna, as importações dos chamados fertilizantes intermediários tiveram grande expansão nos últimos anos. Em 2013, a compra desses produtos aumentou 10,6%, para 21,619 milhões de toneladas, um recorde, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). Os fertilizantes intermediários são misturados conforme diferentes formulações para a fabricação dos adubos que são usados pelos agricultores. A importação representou cerca de 70% do volume de fertilizantes comercializado no país em 2013. Para importar esses produtos, o país gastou US$ 8,885 bilhões em 2013, aumento de 3,51% sobre 2012, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).
O consumo de fertilizantes foi recorde no país no ano passado puxado principalmente pelo desempenho da cultura da soja. As vendas domésticas somaram 31,082 milhões de toneladas em 2013, aumento de 5,2% sobre 2012, de acordo com a Anda. As maiores importações refletem o forte crescimento da demanda doméstica num cenário de estagnação da produção nacional de fertilizantes. Nos últimos anos, a produção no país ficou praticamente estável, com pequenas oscilações, enquanto a demanda cresceu a taxas significativas. Somente de 2010 para 2011, o crescimento verificado foi de 15,5% nas entregas ao consumidor final. Mas, em 2013, a produção caiu cerca de 417 mil toneladas ante 2012, para 9,305 milhões de toneladas. Os números mostram que o Brasil ainda está muito longe de reduzir sua histórica dependência dos fertilizantes importados. Uma fonte do setor disse que no ano passado houve redução da produção de alguns fertilizantes fosfatados e de cloreto de potássio - nesse caso, porque a mina da Vale, em Sergipe, única empresa com projeto que produz o nutriente no Brasil, aproxima-se da exaustão. E com a demanda principalmente para o plantio do milho da segunda safra, cuja semeadura ganha força a partir deste mês, cresce o volume de navios com fertilizantes importados chegando ao país, segundo Carlos Eduardo Florence, diretor-executivo da Associação dos Misturadores de Adubos (Ama-Brasil). Os navios estão demorando para conseguir atracar e descarregar os fertilizantes importados no porto de Paranaguá, no Paraná. Em 2013, o porto recebeu 39,4% do total de fertilizantes importado pelo Brasil. Segundo a assessoria de imprensa da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), o navio mais "antigo" aguardando para atracar e movimentar a carga de fertilizantes chegou a Paranaguá em 18 de dezembro, ou seja, há mais de 45 dias. A demora aumentou, diz a Appa, por conta das obras de dragagem do porto. De acordo com a Appa, a variação do câmbio também desestimulou a comercialização de fertilizantes e muitos importadores seguraram ao máximo suas movimentações de agosto a novembro, quando foi registrada queda na movimentação dos produtos. As importações de fertilizantes foram retomadas a partir de dezembro, causando um fluxo maior no porto, segundo a Appa. A GO Associados estima que as importações de fertilizantes este ano deverão ficar em 21,546 milhões de toneladas, volume muito próximo do comprado do exterior em 2013, uma vez que projeta vendas internas em ligeira alta, de 31,5 milhões de toneladas. Fonte |
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