A influência das minhocas nos solos agrícolas era bem conhecida no antigo Egito. Os faraós as consideravam “animais sagrados” e previam castigos severos para quem as prejudicasse. Mas foi Darwin, no século 19, que explicou a verdadeira função desses invertebrados no solo, dando origem às pesquisas que levaram a compreender a importância da minhocultura.

De lá para cá foram muitos os avanços nas pesquisas com minhocas e, mais do que sagradas, elas se tornaram essenciais. O que pode ser comprovado no livro Minhocultura e vermicompostagem – Interface com sistemas de produçã..., a mais nova produção editorial da Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju/SE) e da Embrapa Informação Tecnológica(Brasília/DF) nesse segmento.

O livro destaca os benefícios e os avanços das pesquisas enfocando, em seus nove capítulos, os cenários atuais e futuros da minhocultura no Brasil e no mundo; a interface da minhocultura e da vermicompostagem com os agroecossistemas familiares e as relações dessas práticas com o meio ambiente; as políticas públicas para utilização de resíduos sólidos; assim como o mercado potencial de húmus de minhoca e de outros produtos da minhocultura.

A minhocultura é uma atividade que atrai tanto o público rural quanto o urbano, além de aliar práticas sustentáveis e possibilidades de comercialização de produtos que vão desde minhocas e farinha de minhoca, até o vermicomposto.

Vermicompostagem

Consiste no uso das minhocas de terra para a eliminação dos resíduos orgânicos. Elas atuam como um “moinho biológico”, e, por meio da transformação da matéria orgânica, ajudam a tornar a área exposta muito mais degradável. O descarte dos resíduos orgânicos produzidos nas atividades domésticas e industriais em lixões ou aterros sanitários, ou qualquer outra forma de descarte indevido, resulta em sérios problemas sociais, ambientais e econômicos. Por isso, investir na vermicompostagem – uma atividade relativamente fácil de ser empreendida em diversos níveis tecnológicos e em diferentes escalas de produção -, é contribuir para a preservação ambiental e para a redução dos impactos na agricultura.

Para isso, porém, é preciso conhecimento, informação. E este é um dos objetivos do livro: ser fonte de consulta para pesquisadores, professores, estudantes, produtores rurais e outros públicos interessados no tema.

“A história da vermicompostagem no Brasil é recente e creio que, em âmbito nacional, esta seja uma das primeiras publicações que reúne especialistas nacionais e internacionais no assunto”, avalia Adriana Aquino, pesquisadora da Embrapa Agrobiologia (Seropédica/RJ) e uma das editoras do livro. Para ela, o interesse pelo tema cresceu muito no Brasil, em decorrência do aumento da demanda pela produção de alimentos com redução de impactos ao meio ambiente, assim como do avanço da agricultura orgânica. “Mas a produção científica no país em minhocultura ainda é muito baixa, e iniciativa como esta é imprescindível para fundamentar o conhecimento na área”, conclui a pesquisadora.

Produção agrícola

“Durante muito tempo, a importância social, ambiental e econômica das minhocas foi relegada a um segundo plano, tornando-se quase sinônimo de atraso científico”, afirma Gustavo Schiedeck, também editor e pesquisador da Embrapa Clima Temperado (Pelotas/RS). Para ele, a emergência da agroecologia trouxe o tema novamente para o centro do debate científico e inúmeras pesquisas ao redor do mundo têm comprovado os efeitos das minhocas na produção agrícola. Além disso, acrescenta que “a conjunção do saber tradicional dos agricultores e do saber científico-acadêmico sobre as minhocas, aliada à forte demanda social por tecnologias limpas na produção de alimentos, faz deste um momento ímpar que não pode ser desconsiderado por ninguém ligado ao meio agrícola”.

A introdução de práticas alternativas, como a minhocultura e a vermicompostagem, nos sistemas de produção, contribui para agregar valor às propriedades agrícolas, em especial às de pequeno porte, com a redução da dependência por insumos químicos nos cultivos.

Políticas públicas

“A degradação dos recursos naturais, em países subdesenvolvidos e nos emergentes, como o Brasil, tem muita relação com gestões públicas deficientes, crescimento desordenado e insustentável das cidades e da população”, avalia Joézio Luiz dos Anjos, editor e pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros. Ele destaca a importância de políticas públicas que incentivem, por exemplo, a reciclagem dos resíduos orgânicos domésticos, e comemora a promulgação em 2010, após 20 anos de tramitação no Congresso, da Lei 12.305 sobre Política Nacional de Resíduos Sólidos (PRNS), que considera “um marco histórico para o país extinguir seus milhares de lixões a céu aberto”.

A lei torna obrigatória a destinação dos resíduos sólidos sem possibilidade de reciclagem (rejeitos) para aterros sanitários. Já os resíduos sólidos recicláveis, secos e úmidos, estimados em bilhões de reais, embora ainda predominantemente reduzidos a passivos ambientais, a PNRS vai incentivar programas municipais de educação ambiental para coleta seletiva e reciclagem dos resíduos orgânicos, os quais serão transformados em adubos orgânicos por meio de compostagem e vermicompostagem.

Resíduos sólidos perigosos como, pilhas usadas, lâmpadas queimadas, embalagens de agrotóxicos, entre outros, serão restituídos aos fabricantes (logística reversa), que passam a ser responsabilizados por sua coleta e destinação. “Toda a sociedade deverá compartilhar soluções e ser responsável pelos resíduos e rejeitos que produz. Conhecer a lei, cobrar iniciativas dos gestores e participar na construção dessas políticas, é papel de cada um”, diz Joézio dos Anjos.

Minhocultura e vermicompostagem tem a participação de pesquisadores, professores e gestores de praticamente todas as regiões do Brasil, o que confere ao livro uma abordagem diversificada das práticas, pesquisas e experiências vivenciadas sobre o tema. Traz, ainda, fotografias e ilustrações que ajudam o leitor a compreender melhor o assunto.

O livro Minhocultura e vermicompostagem – Interface com sistemas de produçã... está disponível para venda na Livraria Embrapa –www.embrapa.br/livraria -, por R$ 14,00, preço promocional, com 30% de desconto.

Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (61) 3448-4236 ou Fax (61) 3448-2494.

FONTE

Embrapa Informação Tecnológica
Maria Luiza Costa Brochado – Jornalista
Telefone: (61) 3448-2479

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